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Yôganidrá – o relax consciente do Yôga Antigo. – Parte 3

Maio 3rd, 2012

(continuação da semana anterior)

Yôganidrá & reprogramação

A emocionalidade é um recurso característico dos mamíferos objetivando melhorar a capacidade de reação e escolhas aos estímulos externos, melhorando as chances de sobrevivências dos indivíduos das varias espécies.

Como tudo na Natureza, este expediente comportamental embute um ônus: predispõe os mamíferos ao condicionamento, outra ferramenta evolutiva. Esta inclina os seres vivos à automatização de procedimentos que o cérebro e principalmente, a emocionalidade, considerem prazerosos ou vantajosos. Uma vez incorporados, tornam-se hábitos e serão executados automaticamente, como, por exemplo, dirigir um carro.

Muitas destas condutas já vêm no kit genético e outras tantas são aprendidas e fortemente influenciadas pela família, época e local em que o indivíduo nasce.

A reprogramação emocional consiste em um sistema de ordens mentais, possibilitando a adoção de novos hábitos comportamentais, mais inteligentes substituindo outros que consideremos desatualizados.

Yôganidrá & Tipos de relaxamento

Texto extraído do livro Tratado de Yôga – DeRose – Ed. Nobel.

“Existem vários tipos de indução para relaxamento. Alguns deles são:

  • relaxamento das cores;
  • relaxamento dos sons;
  • relaxamento da praia;
  • relaxamento da clareira no bosque;
  • relaxamento da gota de orvalho caindo na superfície de um lago sereno;
  • relaxamento da rosa;
  • relaxamento da cachoeira de luz;
  • e muitos outros”.

Yôganidrá & o sentido da descontração

Texto entre aspas extraído do livro Tratado de Yôga – DeRose – Ed. Nobel

“A base inicial consiste em um comando de descontração do corpo todo, parte por parte. A base inicial pode induzir a descontração, localizando a consciência em cada segmento do corpo, um por um, a fim de desligar todos os pontos de tensão. O comando da base inicial é quase sempre semelhante, mas pode seguir ordens distintas, variando a cada dia:

  • descontração dos pés para a cabeça;
  • descontração descendo pela frente, do pescoço até os pés, e subindo por trás, dos pés até à cabeça;
  • descontração do centro para as extremidades, partindo do umbigo, sem retornar ao tronco;
  • descontração em círculo (tronco, braço esquerdo, perna esquerda, perna direita, braço direito, cabeça);
  • descontração em estrela (do tronco para os braços, pernas e cabeça, um por um, retornando ao tronco);”

“A melhor é dos pés para a cabeça, já que a morte geralmente ocorre nesse sentido – morremos primeiramente nos pés e, por último, a vida sai da cabeça (excluída a possibilidade de morte cerebral ou de estado de coma).

Por isso, a posição do relaxamento denomina-se, nada mais nada menos que shavásana, a posição do cadáver (shava = cadáver; ásana = posição), aludindo, entre outras coisas, à ordem de retirada da consciência. Além disso, a cabeça só relaxa no final, para que o praticante permaneça “lúcido e consciente” durante o máximo de tempo e, se possível, por toda a descontração. “

Lucidez x hipnose

Quando pratiquei Yôga na Índia, em 1998, achei curioso que independentemente da modalidade, todos os instrutores, colocavam os praticantes deitados com a cabeça voltada para ele e iniciavam a descontração na ordem inversa daquela preconizada pela Nossa Proposta.

Este recurso é muito utilizado em psicoterapia, aonde o terapeuta necessita tomar o comando da psiquê do paciente com o intuito de ajudá-lo. Por isso, inicialmente descontrai a mente para extinguir o senso crítico e dominar a vontade do cliente. Ou seja, induz à hipnose.

Ocorre que qualquer modalidade de Yôga sério evitará sempre a hipnose, pois o objetivo desta filosofia arcaica é proporcionar mais lucidez ao praticante e não a inconsciência!

(continua na próxima semana)

 

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