(continuação da semana anterior)
Uma visão mítica
Na mitologia hindu, a palavra yôganidrá alude ao sono de Vishnú Náráyana, que dorme, deitado, nas águas originais de Anantasêsha, serpente de mil cabeças, que representa a eternidade.
Adormecido, Vishnu sonha, brotando-lhe do umbigo uma flor de lótus, da qual insurge Brahma, o primogênito do universo, para engendrar o mundo, iniciando, desta forma, um novo ciclo cósmico.
Impactos físicos e neurológicos
Embora o foco do Yôganidrá não seja os benefícios, o impacto sobre o corpo, emocionalidade e mente são impressionantes, principalmente quando integrado ao asthanga sádhana (prática óctupla) da Nossa
Filosofia.
- Descontração muscular absoluta, conduzindo os músculos esqueléticos ao mais profundo grau de hipotonia, possibilitando que estes descansem e recuperem-se totalmente de qualquer esforço ou cansaço;
- Redução do ritmo cardíaco e respiratório, proporcionando um descanso mais do que merecido à estes dois incansáveis operários orgânicos, e prevenindo futuros problemas coronários ou aéreos;
- Retração da pressão arterial;
- As ondas cerebrais são o elemento de comunicação entre nosso cérebro, corpo e mente por meio de vibração elétrica. Nomeadas como ondas Beta, Alfa, Theta e Delta, a condição vibratória dessas ondas influencia diretamente na qualidade de vida. No estado de vigília utilizamos prioritariamente as ondas Beta, de alta frequência cerebral, que pelo uso sistemático, estimulam o stress, geram dispersão mental e ansiedade emocional. O yôganidrá promove a ativação de ondas Theta e Deita, predispondo a mente ao aquietamento e a meditação.
- Diminuição do metabolismo basal, que é a taxa calórica ou energética que o corpo utiliza durante o repouso, para o funcionamento de todos os órgãos vitais. Quanto menor for o consumo de energia, maior será o coeficiente de recuperação física, energética, emocional e mental.
Yôganidrá & autoconhecimento
Por meio da descontração característica do SwáSthya, produz-se no praticante um estado intermediário entre a vigília e o sono. Embora lúcido, o inconsciente, denominado pelo Yôga de chidákásha, entende que o educando dorme e autoriza a emersão dos samskáras, as tendências subconscientes dos condicionamentos, que são os vásanás.
Através de uma linguagem cifrada, simbólica, uma enorme gama de elementos armazenados no inconsciente, tais como lembranças, recalques, fobias, desejos, medos, complexos, instintividade reprimida etc, emergem e são atualizados, permitindo que o aluno compreenda, de forma segura e metabolizável a si mesmo, as origens e o entendimento do seu modus operandi, facilitando as mudanças de hábito, adotando outros, mais inteligentes e evoluídos.
Yôganidrá & siddhis
Segundo o Educador DeRose, siddhi, significa literalmente, perfeição, significa poder paranormal. Os chakras, quando desenvolvidos além de um determinado patamar, excedem a simples distribuição de energia para o funcionamento do organismo e começam a produzir efeitos que transcendem a faixa da normalidade. O superávit energético torna-se tanto que todo o sistema biológico (o qual inclui o psiquismo) passa a funcionar de uma maneira incomum, manifestando capacidades, aptidões e faculdades que as demais pessoas não possuem.
No SwáSthya Yôga, – continua DeRose – os siddhis são desenvolvidos pelo despertamento da energia kundaliní, que está latente em todos os seres humanos e localiza-se na base da coluna vertebral. Essa força descomunal é ativada pelas técnicas do SwáSthya e sua ascensão pela medula estimula e vitaliza os chakras, centros de poder que temos ao longo da coluna. Portanto, manifestar um siddhi não significa que você despertou a kundaliní. Significa que superestimulou um ou mais chakras. Conforme já vimos, eles podem ser estimulados sem o despertamento da força ígnea kundaliní, mediante diversos recursos externos.
Pesquisando-se os tratados milenares sobre o Yôga, observa-se que esta filosofia ancestral reconhece 84 modalidades de siddhis ou paranormalidades. Entre elas, o yôganidrá predispõe o desenvolvimento de três:
- Catalepsia voluntária, também chamada de ísitwa, aonde o yôgi induz o corpo à rigidez cadavérica, apesar de continuarem funcionando as funções vitais e os sentidos;
- O poder de concretização mental, conhecido como kámávasáyitva, em que a força da mentalização alcança extraordinários coeficientes de precipitação no plano da realidade;
- O domínio da projeção astral voluntária.
(continua na próxima semana)

se melhorar a letra vai ficar melhor está muito difícil de se lê
obrigada.
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