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Yôganidrá – o relax consciente do Yôga Antigo. – Parte 4

Maio 16th, 2012

(continuação da semana anterior)

Yôganidrá & Etapas da descontração

Texto extraído do livro Tratado de Yôga – DeRose – Ed. Nobel

“Um bom relaxamento é dividido em quatro partes que são:

  • entrada
  • utilização
  • preparação para a saída
  • saída

A entrada consiste em ajudar o praticante a obter uma rápida descontração muscular e emocional. É o acesso ao relaxamento, que se consegue mais facilmente ou mais profundamente graças a determinados recursos técnicos que o instrutor aprende no curso de formação.

A utilização consiste em usar o estado de descontração e de receptividade para alguma coisa mais que simplesmente relaxar. Senão, seria como abrir a porta do automóvel, entrar nele, abrir a outra porta e sair por ela, sem ter utilizado o veículo para ir a parte alguma. A primeira fase, entrada, é o abrir a porta do automóvel e entrar nele. Mas é a segunda fase, utilização, que permitirá produzir os colossais efeitos de reprogramação emocional. Esta consiste na introjeção de ordens positivas.

A preparação para a saída consiste em preparar o praticante para que, quando for dada a ordem de retornar, ele a aceite e cumpra. Como o estado de relaxamento é muito agradável, algumas pessoas mais preguiçosas podem eventualmente não querer nem saber de sair dali. Não tem problema nenhum. Podem voltar alguns minutos mais tarde. Mas acontece que quando a prática for ministrada num estabelecimento de ensino de Yôga, deve haver disciplina, há horários a cumprir. E, além disso, precisamos levar em conta os colegas de turma que podem ficar mal impressionados se um aluno não obedecer ao comando de retornar. Esta terceira fase é uma segurança a mais para que o praticante saia quando for chamado.

A saída consiste em trazer o praticante gradualmente e reinjetando sua consciência no corpo, na ordem certa para que se reapodere do seu território orgânico sem deixar parte alguma sem domínio. Tem que ser feita com muita competência para não induzir o aluno a se levantar e ir-se sem, entretanto, ter despertado de fato!”

Yôganidrá & cérebro ancestral

Observando a evolução do primata humano nos últimos dez mil anos, o funcionamento e anatomia dos pés, mãos, pâncreas não se alteraram desde o final da Era Glacial. O mesmo pode-se considerar para o cérebro humano.

Estes milhares de anos são um período muito curto na evolução das espécies, para o corpo fazer alterações substanciais e adaptar-se aos eventos e tecnologia que surgiram desde então. Acrescente-se o fato de que o ambiente vem modificando-se numa velocidade muito maior do que a capacidade adaptativa de um corpo e cérebro da Idade da Pedra.

Baseado nestas suposições cunhou-se uma proposição muito curiosa, denominada, Princípio da Savana e que diz que o cérebro humano tem dificuldade para entender e lidar com elementos e situações que não existiam no ambiente ancestral, há dez mil anos.

Fundamentados nestas reflexões, poderíamos ponderar que o nosso cérebro identifica ameaças nas situações mais inusitadas, e eventualmente, dificulta a entrada do praticante em um estado mais profundo de descontração física e mental.

Para atenuar a sensação de perigo imaginário, sugerimos que o praticante adote as seguintes medidas:

  • Mantenha os lábios entreabertos com a mandíbula solta e conserve o abdome solto. Estes procedimentos funcionam como chaves que sinalizam ao cérebro ancestral que o ambiente é seguro, e, portanto, ele pode desligar os mecanismos de alerta;
  • Existem praticantes treinados que com alguns poucos minutos de yôganidrá, promovem um estado bastante satisfatório de descontração. Porém, para o aluno iniciante sugerimos pelo menos oito minutos de relaxamento. Este é o tempo necessário que o organismo necessita para aumentar as concentrações de hormônios parassimpáticos (relaxantes) e retirar da corrente sanguíneas os simpáticos (adrenalinizantes).

(continua)

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