Blog do Jojó

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O desafio da qualidade de vida – parte 2

Junho 21st, 2012

(Continuação)

Atividade laboral monótona

Quanto mais conhecemos o organismo humano e, simultaneamente, nos comparamos aos demais primatas, nossos primos próximos, fica patente a existência de uma incompatibilidade estrutural entre trabalho e corpo.

O fato é que nossos braços, pernas, coluna vertebral, visão e audição primatas, não foram originalmente elaborados para executar tarefas repetitivas ou realizá-las por muito tempo. Fomos construídos para dormir, comer, divertir, competir, procriar e conviver em grupos pequenos e coesos, nos quais encontramos segurança e reconhecimento.

Esse conflito está estampado, por exemplo, quando se procura uma definição para trabalho. Depara-se com adjetivos nada elogiáveis, tais como: faina, esforço extremo ou incomum, labuta. A palavra trabalho origina-se do latim tripalium, instrumento de tortura romano, um tripé constituído por três espeques cravados no solo, formando uma pirâmide, no qual eram martirizados os escravos.

Não se conhece, por exemplo, leões, gnús e crocodilos com problemas de L.E.R. (lesão por esforço repetitivo). A não ser aqueles domesticados pelos humanos. Essa é uma doença humana moderna, originada da sistematização do trabalho e que aflige milhões de indivíduos em todo o mundo.

Desde 1981, lesões por esforço repetitivo já eram as campeãs como principais causas de afastamentos do trabalho nos EUA. Na época, o National Council of Compensation avaliou que um único tratamento de coluna custava, apro­xima­da­mente, US$ 24.000, e um tratamento de um caso de síndrome do túnel do carpo custava US$ 29.000.

O outro fator que leva as tarefas repetitivas em promover baixa qualidade de vida, é a constituição do nosso cérebro primata, viciado em estímulos, novidades e desafios. Atividades recursivas deprimem o cérebro, embotando nossa criatividade e motivação, promovendo embotamento emocional e físico.

Má alimentação

Nossa opinião é a de que no início da nossa evolução éramos vegetarianos. Nossos antepassados viviam nas árvores e alimentavam-se de folhas e frutas, como ainda o fazem atualmente os chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos, nossos primos-irmãos. Para alimentar-nos, não precisávamos trabalhar. Aliás, morávamos dentro de uma salada! – como comenta o Educador DeRose.

Em algum momento, mudanças ambientais escassearam as árvores e o Homo Sappiens desceu das árvores e iniciou um processo sofrido de adaptação ao chão:

  • elevou sua coluna, apoiando-se sobre as patas traseiras, trazendo-lhe dores atrozes às costas que o acompanham até hoje;
  • Ampliou a capacidade de ver ao longe, para identificar possíveis predadores, o que se desdobrou em problemas sérios de visão não encontrados em outros mamíferos;
  • Acelerou o processo de gestação nas fêmeas (neotenia), já que não contavam com a proteção das árvores para proteger os filhotes e as mães precisavam acompanhar o grupo nômade.

Sem a presença das frutas e folhas, nossos antepassados foram
constrangidos a modificar sua dieta, tornaram-se nômades coletores, passando a alimentar-se com o que se deparassem: insetos, raízes,
sementes e pequenos animais. A verdade que nossos ancestrais viveram na linha da inanição por milhares de anos.

Muito tempo depois, com a domesticação de vegetais, animais e a construção dos primeiros povoados e vilas, o primata humano desfrutou, pela primeira vez em muitas dezenas de séculos, de comida abundante. Algumas mudanças derivaram daí: o aumento da população humana, o surgimento de classes sociais, aonde alguns membros do grupo já não faziam o trabalho braçal e o aparecimento de um número até então inimaginável de pessoas gordas!

Passado vários milênios, o Homo civilicatus substituiu as armas e a caça pelo cartão de crédito, o supermercado e uma inimaginável variação de tipos de alimentos disponíveis a distância de um braço.

Porém, em áreas profundas do cérebro, as lembranças ancestrais da fome e falta de alimento mantem-se cinzeladas no psiquismo, o que nos impele a remover das prateleiras e ingerir muito mais alimento que precisamos. Inconscientemente, não sabemos quando poderemos voltar a nos alimentar.

Nossa espécie come mais do que precisa e alimenta-se de excesso de sal, açúcar, café, carnes, gorduras saturadas, álcool, fumo, remédios, frituras, manteiga, leite gordo, conservas, refrigerantes etc. As consequências são o aumento da obesidade, do colesterol, arteriosclerose, infarto, derrame cerebral e diabetes.

(Continua)


[u1]“esta” por “essa”

 

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