Blog do Jojó

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Uma deliciosa discussão com o Mestre DeRose na Índia

Janeiro 3rd, 2011

Quando participei da primeira viagem a Índia, em 1980, com o Mestre DeRose, um dos locais que visitamos foi o Yôga Institute Santa Cruz, localizado em Santa Cruz East, em Bombay, no Estado de Maharashtra. Na época, esta instituição, sob a orientação de Shrí Yogêndra, era  uma das mais badaladas escolas desta filosofia arcaica da Índia. Ficamos quase uma semana neste instituto, praticando e estudando. O grupo, de aproximadamente trinta participantes, era na sua maioria, constituído de Instrutores do Método e recebemos orientação para mantermos uma atitude discreta, evitando demonstrar que tínhamos um Mestre entre nós ou que praticávamos uma outra modalidade de Yôga.

Ficamos hospedados no instituto, participando normalmente da rotina da ashram, que incluía acordar as cinco da manhã, praticar uma hora, fazer o desjejum, lavar louça, varrer o pátio, lixar os muros que circundavam o estabelecimento, participar dos sat sangas conduzidos pelo próprio Shrí Yogêndra além de aulas teóricas sobre Samkhya e outros temas, com um professor de Goa falando português!

Mas não estávamos apenas em brasileiros na entidade. Havia também estadunidenses, europeus e asiáticos, sendo que alguns faziam formação, outros apenas participavam de workshops de uma semana e diversos só passavam o dia para conhecer o famoso Yôga Institute Santa Cruz.

A convivência era muito agradável e o intercâmbio cultural, intenso. Ou seja, transcorridos dois dias desde que chegáramos ao ashram, já havia um zum-zum-zum sobre a presença de um outro Mestre de Yôga, além de Shrí Yogêndra, circulando no interior dos muros da instituição. Notamos que principalmente os estadunidenses estavam curiosos e ao mesmo tempo, reativos a presença do Educador DeRose entre eles. Eram os que mais faziam perguntas a nós, os instrutores brasileiros.

Todos os dias sentávamos em um grande salão, em círculo, instrutores do Yôga Institute, residentes e visitantes, para almoçarmos. A comida era colocada em bandejas de alumínio individuais e comíamos com as mãos e com o auxílio do tradicional chapati, o pão indiano.

Em um destes almoços, um estadunidense iniciou uma conversa com o nosso Supervisor. Entre eles almoçava uma dúzia de pessoas. Ou seja, o que diziam um ao outro podia ser ouvido por toda a gente presente.

O interlocutor fazia formação em Yôga no Santa Cruz e questionava em inglês a autoridade de Mestre em Yôga do nosso sistematizador. O tom de voz do americano carregava uma certa agressividade enquanto DeRose respondia sempre de forma tranqüila.

Já transcorriam alguns minutos de questionamento do acólito ao DeRose. Muitos pararam de comer para acompanhar a discussão. No entanto, os instrutores indianos pareciam não estar interessados no evento que transcorria, continuando a degustar a deliciosa comida indiana, com uma expressão de pouca importância.

O estadunidense já havia levantado o tom da voz alguns decibéis, quando a conversa derivou para a experiência do samádhi.

- Como você pode provar que atingiu a hiperconsciência, senhor? – Questionou mais uma vez o praticante.

DeRose então, sorrindo sempre e com um tom de voz conciliador, inicia a descrição conforme pode ser lida no seu livro Quando é preciso ser forte, no capítulo A revelação do SwáSthya Yôga.

Assim que DeRose começa a contar sua vivência, os indianos imediatamente pararam de comer, olhando fixamente para ele. Um silêncio reverencial permeava o grande salão de refeição enquanto o nosso amigo continuava a sua descrição. Os indianos haviam mudado totalmente a sua postura, agora totalmente alertas, ouvindo atentamente a exposição do evento descrito por DeRose.

Quando DeRose terminou, todos ficamos aquietados. Mas podíamos ouvir os cérebros dos presentes trabalhando para assimilar tanta informação.

Foi quando o estadunidense abriu a boca para reiniciar seu questionamento. Neste momento o Instrutor indiano mais antigo levantou uma das mãos sinalizando para que ele se calasse.

Enquanto ele arregalava os olhos, baixava a cabeça e voltava a comer, os indianos olhavam para DeRose com um misto de reverência e surpresa. Enquanto isso, nós, os instrutores do Método, nos entreolhamos com um meio sorriso e depois também mergulhamos nossas mãos nas bandejas a nossa frente.

Comments

8 Comments

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  • David F. says on: 3 de Janeiro de 2011 at 10:26

     

    E sempre um gosto ouvir suas narrativas de eventos passados.
    Obrigado pela partilha.
    Abraço.
    David Furtado
    Espaço Faro – Algarve – Portugal

    [Reply]

  • Eduardo Saldanha says on: 4 de Janeiro de 2011 at 7:38

     

    Olá Prof. Joris,
    Que história preciosa.
    Deve haver muitas ocorrências deste género que ainda estão por contar. E nós mais novos sedentos por ouvir :D
    Um Excelente ano de 2011
    Um forte abraço de Lisboa

    Eduardo Saldanha
    Espaço Lifestyle – Lisboa Portugal

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  • Thiago Ferreira da silva says on: 4 de Janeiro de 2011 at 8:32

     

    Muito interessante sua narrativa Jojó. Venho acompanhando o seu blog, que está maravilhoso. Obrigado por compartilhar conosco as suas experiências.

    Um grande abraço.

    Instrutor Thiago

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  • Pedro Gabriel says on: 4 de Janeiro de 2011 at 18:09

     

    Tanta história, tanto conhecimento, tantas experiências!

    Fica aquela “inveja saudável” de poder ter vivído as mesmas coisas e, ao mesmo tempo, sou tomado pela certeza que também terei as minhas próprias experiências que poderão ser tanto ou mais interessantes.

    O simples fato de fazer parte desta Cultura já me faz render reverências.

    Um forte abraço e um grande admirador.

    ——————————
    Pedro Gabriel
    yôgin – Unidade Santos
    ——————————

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  • Marcelo Hirota says on: 6 de Janeiro de 2011 at 22:19

     

    Fantástica história Jojó! Estou me divertindo bastante com o seu blog :) e aguardo ansiosamente pelo próximo post.
    abraços do amigo distante,
    Hirota

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  • Susana Sousa says on: 10 de Janeiro de 2011 at 12:01

     

    Querido Jojó,

    Obrigada por partilhar estas histórias deliciosas.

    Um abraço bem forte para um início de 2011 cheio de realizações e prosperidade!

    Susana Sousa
    Aluna Espaço Lifestyle – Lisboa

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  • Lucila Silva says on: 12 de Janeiro de 2011 at 9:01

     

    Você comentou que postaria esta história e o fez de fato. Ficou muito bom!
    Beijo da Lucila!

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  • Gabriel Beilinson says on: 14 de Março de 2011 at 12:53

     

    Que bom, adoro estas historias!!!
    Um abraco grande,
    Gab

    [Reply]

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