(Continuação da semana anterior)
Um trabalho sério
DeRose, o codificador do Yôga Antigo, atingiu o samádhi nos anos sessentas. Uma vez alcançada a meta, faltava terminar de sistematiza-lo, conforme relata no seu livro Quando é preciso ser forte (Ed. Nobel). Esta codificação levou quarenta anos para se completar, e ao final o que se viu foi o resgate da forma mais autêntica, potente, bela e ancestral de praticar esta filosofia milenar: o Método DeRose.
Nestes quarenta anos o seu codificador escreveu mais de vinte livros sobre assuntos sempre relacionados ao Proto-Yôga, formou cerca de cinco mil instrutores, introduziu cursos de formação de instrutores de Yôga nas mais importantes universidades brasileiras, sul americanas e européias, fundou uma dezena de federações estaduais e centenas de escolas de Yôga por todo o mundo.
Visionário e realizador, desde cedo teve de lutar muito para expor sua visão sobre esta filosofia prática de vida e a profissão, pois as forças conservadoras sentiam-se ameaçadas e o perseguiram, como ainda o fazem, há décadas. Mas, apesar da incompreensão de alguns, a sua proposta evolutiva continua a encantar milhares de praticantes e novos instrutores do Método, em todo o mundo, pela potência, beleza e eficiência.
O Sistema DeRose tem características únicas, tais como as regras gerais de execução, que oferecem ao yôgin segurança e liberdade; seqüências coreográficas, verdadeiras esculturas vivas de expressão corporal; o perfil do público, congregando pessoas jovens, cultas e clean; e principalmente a prática óctupla, sua principal característica.
Mais do que uma filosofia, o Sistema Pré-Clássico transformou-se numa cultura, com hábitos e comportamento muito saudáveis e pró-ativos, reunindo em torno de si milhares de pessoas muito bonitas, educadas, realizadoras e positivas.
A potência da prática
- O epicentro da sistematização feita pelo Mestre DeRose foi a prática óctupla (ashtánga sádhana). Constituída por oito feixes potentíssimos de técnicas ancestrais, foi ela que o conduziu ao samádhi no início da sua jornada e é constituída de:
- gestos ancestrais feito com as mãos - desperta no praticante o conceito do inconsciente coletivo e o acesso a conhecimentos esquecidos. É impactante descobrir que as mesmas mãos que escrevem, digitam, conduzem o alimento à boca, acariciam ou destroem, são também capazes de conduzir a consciência humana à conexão com a memória coletiva da Humanidade. O SwáSthya sistematizou cento e oito mudrás, nome pelo qual é denominada em sânscrito a técnica;
- treinamento de mentalizações – nominado globalmente de pújá, desenvolve no yôgin a capacidade de construir imagens mentalmente, moldando situações e ambientes à sua vontade. Com isso, eleva a condição de instrumentação evolutiva e competitiva uma das características exclusivas dos primatas humanos: a capacidade de imaginar, construir situações hipotéticas e realizar escolhas a partir delas.
- domínio do ultra-som - que promove um desvelamento da potência dos sons internos do corpo e sua manipulação, gerando redução ou estímulo da atividade mental, desenvolvimento de habilidades naturais incomuns como a hiperativação de epicentros nervosos e bioenergéticos. São nominados genericamente de mantras.
- controle da energia biológica através da respiração - são os pránáyámas, que oferecem uma gama gigantesca de exercícios aéreos, respiratórios, com o intuito de promover alterações diversas e portentosas no modus operandis do ser humano: revelar, controlar e ampliar os tempos inspiratórios e expiratórios, influenciando no ritmo e interatividade das ondas cerebrais; hiperoxigenar o cérebro, acelerando e modificando o ritmo das sinapses e expandindo as percepções de tempo e espaço; dominar e canalizar um substrato energético que sustenta toda a forma de vida, chamada prána, proveniente do sol, e influenciar diretamente na ativação definitiva da kundaliní;
- limpezas orgânicas - Se reunirmos alimentação de qualidade, potente oxigenação cerebral, reeducação neuro-ósteo-muscular, exercícios mentais diários e combiná-los com os kriyás, os exercícios multimilenares de limpeza orgânica do Yôga, as concentrações bioquímicas no organismo do praticante sofrerão instigantes alterações. Estas conduzirão o yôgin à um novo patamar na qualidade da comunicação com o corpo, emoções, pensamentos e insights, convergindo para um poderoso empuxo de lucidez e vitalidade.
- técnicas corporais – incluindo técnicas de desenvolvimento de alongamento, tônus e força muscular, reajustamento postural, flexibilização das articulações e equilíbrio psicossomático que culminam numa implosão de autoconhecimento biológico. Esta induzem a desfrutar uma condição corporal ímpar, de muito conforto, descontração, agilidade e vitalidade física, reproduzindo o status neuro-muscular dos nossos antepassados caçadores, com alto nível de reflexos e comunicação intracorporal.
- domínio do sono consciente – através do relaxamento corporal consciente, pelo meio do qual, fisicamente, se reproduz o estado do sono profundo, mas mantém-se lúcido, acompanhando, orientando, diminuindo ou aumentando a intensidade das agradáveis sensações. A prática sucessiva desta técnica acarreta no praticante um controle gradual do sono, a projeção astral, o sonho lúcido, a lembrança e interpretação dos sonhos, a necessidade de menos horas de descanso e homeostase orgânica.
- treinamento da concentração e eclosão da intuição – proporcionando um gradual conhecimento e controle sobre as ondas mentais, identificando uma gama enorme de estados criados pela mente e aprendendo a selecionar os mais produtivos e positivos, de modo a manter-se sempre motivado, criativo e energizado. Por outro lado, estimula os insights, o que permite gerar soluções inovadoras e originais, um dos produtos mais procurados num mundo extremamente competitivo.
O revólver e o Mestre D´Armas
O SwáSthya oferece uma quantidade considerável de regras de segurança, que se observadas, garantem a integridade física e psíquica do sádhaka. Mas a História é eivada de incautos que decidiram experimentar as potentíssimas técnicas psicofísicas do Yôga sem orientação, com resultados desagradáveis. Principalmente se misturam os procedimentos com drogas, incluindo neste kit o álcool e as carnes.
Não estamos aludindo às técnicas água-com-açúcar que são oferecidas na maioria das obras leigas encontradas nas livrarias. Estas jamais poderão ativar a kundaliní no praticante e muito mais conduzí-lo à hiperconsciência.
Imagine-se iniciando-se no manejo de um revólver. Por uma questão de bom-senso procuraria uma escola séria ao invés de tentar aprender sozinho. Curiosamente, ambiente aonde mais se usa armas é aquele com incidência zero de acidentes: as forças armadas. O motivo é que todo o processo de manipulação da artilharia é feito sobre a orientação de especialistas: um Mestre D´Armas, que por sua longa vivência, conhece todos os caminhos possíveis no uso correto e seguro de uma arma. O mesmo vale para o arsenal de técnicas psicofísicas do Método.. É necessária a presença de um instrutor formado e credenciado acompanhando todo o caminho evolutivo do praticante. E mais: é fundamental a existência de um Mestre vivo, que tenha experimentado as instâncias ulteriores do sistema, ou seja, o samádhi, para nortear aqueles que aspiram ao mesmo.
A diferença entre um instrutor e um Mestre é que enquanto o primeiro utiliza o verbo “vamos” quando ensina, o segundo aplica a expressão “venha”, caracterizando que, ao contrário do outro, este já atingiu a meta.
Escala evolutiva: evitando a indigestão
Com o intuito de evitar uma intoxicação evolutiva, o Sistema DeRose desenvolveu um método escalonando, incluindo sete etapas a serem alcançadas. Cada uma delas abarca um corpo de conhecimentos: teórico, prático e comportamental. As etapas funcionam simultaneamente como um estímulo e freio, criando um tempo/espaço mínimo para que o praticante possa metabolizar aqueles conteúdos, amadurecendo para a nova etapa.
Além disso, inclui uma série de mecanismos de seguranças sobrepostos, em cada um dos feixes de técnicas, que se reforçam e garantem uma prática segura e eficiente.
O paraíso é aqui
O que está aqui está em todo o lugar. O que não está aqui não está em lugar nenhum. Esta máxima se aplica muitíssimo bem à Cultura DeRose. Esta talvez seja a maior contribuição do seu codificador para as mudanças que todo praticante deseja aplicar a sua trajetória pessoal: um sistema alicerçado na prática, no tangível, no mensurável e não no imponderável. Uma opção evolutiva com tendência ao concreto, com uma linguagem contemporânea, lógica, sem misticismo e totalmente aplicável.
Esta frase insinua que tudo que necessitamos para realizar as mudanças positivas que desejamos, tem na natureza, no corpo, na existência, tudo o que precisamos para cambiar o que cremos que necessitamos transformar.
Neste contexto, prática do Sistema Pré-Clássico funciona como um espírito, uma presença subliminar que agrega potência, impecabilidade e eficácia na vida pessoal, afetiva, profissional, facilitando o aprendizado de novas e inovadoras habilidades e aproximando-o definitivamente da efetivação dos nossos sonhos.

Puxa, adorei… lembra-se que eu perguntei da Dalva, qual era sua maior forca? e porque, conforme a pessoa, ela entra no Yoga mais facilmente por um lugar que por outro. por exemplo eu ADORO o puja e a concentracao. ja o kriya me e dificilissimo, e o chatuspadasana entao, nem se fala. isso significa que eu devo fazer kriya e chatus todos os dias, ate amolecer o dificil, ne, quando voltar… era uma curiosidade pois eu observo como as pessoas evoluem dentro do yoga conforme o que acham mais facil ou dificil. abcao!!
[Reply]
Pingback/Trackback
A Revolução Silenciosa – O Yôga e o Mestre D´Armas | Método DeRose Borba Gato