Em 1977, o Mestre DeRose havia comprado sua primeira sede, em São Paulo, no bairro do Brooklin. Era uma casa muito grande e bonita. Não só compartilhávamos dos inúmeros cursos na linda moradia do Mestre, como nos hospedávamos, jantávamos e almoçávamos, pois eram muitos quartos e uma grande cozinha.
Nesta época, éramos todos hippies, mas o Jojó era o mais hippie de todos, comendo muito arroz integral com gersal, cabeludo (acreditem, eu já tive cabelo!), e muito barbudo. E como todo hippie da época, era muito radical, descriminando todos que adotassem hábitos comportamentais diferentes dos meus, principalmente os alimentares.
Cheguei ao cúmulo de interceptar um desconhecido na rua, chamando-lhe a atenção sobre os malefícios da coca-cola que ele levava em uma das mãos.
Pois, em um determinado fim-de-semana, em São Paulo, estávamos na Unidade do Mestre, todos reunidos em um grande grupo, entre alunos e instrutores, acompanhando cursos e o Jojó fazia patrulhamento comportamental quanto às escolhas alimentares dos participantes.
O Mestre tudo assistia, sem nada comentar. Passamos o sábado entre estudos e práticas e no fim do dia, depois de todos tomarem banho e jantar, nos reunimos na sala de aula para jogar conversa fora. Além de muitos instrutores e alunos, estavam também presentes, o nosso querido Sistematizador e Betinha, a sua esposa na época.
Em algum momento do bate-papo, a conversa derivou para o soma, beberagem ritualista da tradição védica e cuja composição perdeu-se, utilizada há milênios, com o intuito de reproduzir artificialmente um estado semelhante ao samádhi. Ficamos algum tempo trocando idéias sobre o assunto, quando o nosso amigo, com aquele timbre de voz tão característico, alardeou:
- Eu descobri a fórmula do soma.
Todos os olhos dos presentes arregalaram-se, voltando-se fixamente na direção do Mestre.
- O soma, Mestre? Mesmo? – ouviu-se uma indagação entre os membros do grupo.
- Sim e pegarei um pouco para que provem – disse ele, levantando-se e dirigiu-se até o seu quarto.
Um silêncio absoluto tomou conta da sala. Todos estavam com a respiração em suspensão, imóveis e incrédulos. Afinal o procedimento de elaboração do soma estava perdido havia milênios. Será que estávamos diante de uma revelação?
Passados alguns minutos, nosso Mestre adentra a sala com um pequeno objeto, seguro solenemente entre os dedos das duas mãos. Todos os olhos estavam cravados no diminuto artifício que, logo identificamos como uma ânfora de ferro, envelhecida, como as encontradas em descobertas arqueológicas.
O momento era mágico. Afinal iríamos desfrutar de algo que centenas de gerações de buscadores em vão conseguiram encontrar. Sentíamo-nos privilegiadas. Realmente especiais.
E mais distinguido me senti, ao perceber que havia sido eleito para ser o primeiro a sorver do líquido sacralizado.
O Mestre estendeu seus braços em minha direção e, respeitosamente, projetando os meus, acolhi entre meus dedos a pequenina ânfora ancestral.
Todos me olhavam enquanto trazia o recipiente aos lábios. Quando as primeiras gotas invadiram minha boca, espalhando-se, fechei os olhos para melhor desfrutar. Era muito, muito bom, pois o soma alem de adocicado, estava gelado e produzia uma percepção palatável semelhante a presenças de gotas de ar minúsculas, que misturadas a beberagem, proporcionavam um efeito muito refrescante.
- Que delícia, Mestre. Nunca tomei nada igual – exclamei, entusiasmado.
Ele me olhou profundamente nos olhos e disse:
- É coca-cola, Joris – e deu uma enorme gargalhada, seguido por todos os presentes.
Fiquei em estado de choque por alguns instantes e então entendi. E me juntei aos demais na risada coletiva.
Morria ali um natureba chato.

…já estou à espera e digo que esta foto é uma das minhas preferidas
quem sabe ainda vira tattoo…
beijooo
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Hahahahahahaha!
Adoramos suas histórias compartilhadas, Jojó.
Excelente!
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Que maravilha esta tua história… e que lição, hein!
Abraço.
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Estás histórias, são pérolas! Obrigado por as partilhar, eu adoro aprender assim!
Ainda me lembro, da última vez que cá esteve o Jóris, em casa da Ale e da Letícia das histórias fantásticas em Buenos Aires, em como fui momentaneamente transpostada atá lá e como depois foi complicado adormecer sozinha em casa.
Esperamos a tua vinda cá, se possível com muitas mais histórias.
Beijinhos,
Lara
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Esta história é sensacional, amigo! Sempre dou muitas risadas quando vc a conta.
Um forte abraço!
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hehehe… como é mesmo aquele adágio, as grandes essências estão nos pequenos frascos? Nunca suspeitei que a tal essência seria uma coca-cola… muito bom! Joris, tuas histórias são o casamento perfeito entre forrest gump e algum sadhu dos himalayas.
Abraços,
Rômulo Justa
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Jojó,
acabo de assinar o seu blog. Parabéns. Muito bom. Ótimas crônicas. Muito bom conhecer pessoalmente os personagens.
Abraços do Alessandro.
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Oi Jojó!
Peguei o karma do brooklin para mim! gostaria de saber onde era essa casa!
Muito bom esse post. Muito engraçado te imaginar hiponga. Coloca uma foto!
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Muy buena la historia! Me hizo reir mucho!
Un fuerte abrazo
Gab
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Jójó!!!! Meu querido amigo, só hoje descobri o teu blog. Acreditas nisto???
Parabéns! Estou a adorar as tuas histórias e esta da coca cola é demais. Bem já tenho mais um blog para seguir:)
Beijinhos e até Junho em Portugal para darmos aquele abraço
Zézé
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Ai Jojó, adorei ler esta história escrita por vc.
Muito legal!
A Marcinha já havia me contado e dei muitas gargalhadas. Fiquei até com peninha de vc, mas tbm entendi que fora necessário!!
hehehehehehe
Beijinhos!
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